• Liv Lorrany

Superação de preconceitos

A escolha do perfil da criança a ser adotada influencia no tempo de espera pela chegada dos filhos. No início do processo, os adotantes decidem aspectos como a idade, quantidade de crianças a serem adotadas, cor da pele, sexo, estados de origem dos adotados, se aceitam portadores de doenças tratáveis ou incuráveis e deficiências físicas ou mentais.


De maneira geral, prevalece a opção por apenas uma criança, bebê, menina e branca, o que resulta na demora, porque esse perfil é minoria nos abrigos brasileiros. Porém, o trabalho dos grupos de apoio à adoção tem ajudado os adotantes a superarem preconceitos.


A preferência por crianças pequenas é motivada pelo desconhecimento da realidade da adoção, por desejo real de casais sem filhos quererem seguir os planos de quando casaram e sonharam com a gravidez. Com preconceito e medo de que a criança maior venha com tantos traumas que não consiga superá-los. E finalmente, com essa fantasia de que podemos moldar as crianças menores aos hábitos e costumes da família”, afirma Vera Lúcia Alves Presidente do grupo Conviver”.


Segundo dados do site G1, hoje quase metade (46,6%) dos pretendentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) é indiferente à cor das crianças ou adolescentes. Há cinco anos, eram 31,8%. Ainda de acordo com o portal, no que diz respeito à idade, em 2011, apenas 6,7% aceitavam uma criança maior de 5 anos – percentual que pouco se alterou em 2014 (8,9%). Agora, no entanto, 20,2% estão de acordo com uma adoção tardia.

A servidora pública Roberta Ferreira e seu marido Henry Ferreira alteraram o perfil traçado três vezes, pois perceberam que a escolha por crianças menores retardava o processo.


“De início queríamos até 3 anos, depois aumentamos para 5 e, depois, 7, queríamos até duas crianças que fossem irmãos, mas deixamos aberto, até que nos apareceram três meninas. A mais nova tinha 5 anos, a do meio 7 e mais velha 9. E aceitamos as três, pois queríamos ser pais e não importava se fosse um bebê ou uma criança mais velha, não nos arrependemos de nada”, afirma ela.



Henry e Roberta Ferreira, acompanhados de suas filhas. Foto: Lara Bispo

Preconceito Racial

A psicóloga Patrícia Cardoso adotou três meninas negras. Como ela e seu marido são brancos e de olhos claros, ela conta que temia que suas filhas sofressem discriminação pela diferença física entre eles. Dos diversos preconceitos vividos pela família, ela conta, no áudio abaixo, qual deles foi o mais marcante:


Diagnosticada com câncer, a bióloga e professora universitária Graziela Torres Blanch enfrentou a possibilidade de não poder engravidar. No final do tratamento, já curada, descobriu a gravidez. Quando a filha completou 2 anos, ela e o marido resolveram aumentar a família, por meio da adoção, um desejo antigo da bióloga.


O perfil traçado por eles foi até dois irmãos, sem restrições de etnia, sexo, estado de origem ou qualquer tipo de doença. Há quase três anos, se tornaram pais de um menino de 4 anos e uma menina de 11.


Conheça no vídeo a seguir um pouco da história dessa família:



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