• Liv Lorrany

Adoção por pais solteiros

Homens e mulheres solteiras, sem nenhum tipo de vínculo conjugal, podem adotar. O direito à chamada adoção monoparental é reconhecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no artigo 41 parágrafo 1º.


A auditora fiscal da Receita Federal Patrícia Cerqueira Monteiro fez valer esse direito. Durante muitos anos, dedicou-se ao trabalho, conquistou estabilidade financeira, mas não teve uma relação que resultou em casamento. Aos 38 anos, ela recebeu o diagnóstico de menopausa precoce. Na época, partiu para a inseminação artificial, mas descobriu uma doença autoimune e começou a pensar na adoção.


“Era uma pressão muito grande, a cada vez que os embriões eram inseminados era necessário esperar por 15 dias para saber as respostas. Depois de tentar várias vezes com uma mesma médica no Rio de Janeiro, optei por mudar meu tratamento para São Paulo com outro profissional, onde também não tive resultados. Com o apoio da minha mãe, resolvi que a adoção seria o caminho, eu nunca pensei que eu precisasse ter alguém para ter um filho”, afirma.


O procedimento da adoção monoparental é o mesmo de qualquer tipo de adoção, o diferencial é o preconceito social e, quando o filho possui sexo diferente do sexo do pai, podem surgir algumas situações embaraçosas. O arquiteto Evandro Silveira, que hoje é casado, era solteiro quando adotou sua primeira filha.

Ele recebeu uma menina recém-nascida, ainda com cordão umbilical, na porta de casa, entrou com todo processo legal da adoção e durante muitos anos criou a filha sozinho. “Já fui chamado na Receita Federal para justificar o motivo de minha filha não ter o nome da mãe na certidão, e já até tive que escondê-la para levá-la ao banheiro masculino, já que eu não podia entrar no feminino e na época ainda não existia o banheiro da família nos estabelecimentos”, afirma o arquiteto.


Apesar dos obstáculos financeiros e da dedicação necessária para a criação de um filho, a funcionária pública Alana Paranaíba nunca se arrependeu de ter optado pela adoção monoparental, ela fala que sabia que passaria por alguns obstáculos, mas que sua vontade de ser mãe era muito maior do que os medos. “Dá um trabalho, exige muita responsabilidade de uma pessoa só, mas tudo vale a pena”, diz Alana.


Ter uma rede de apoio familiar é muito importante. Diego Miranda conheceu seu filho Ayko em uma das visitas aos abrigos. O publicitário fazia trabalho voluntário, se vestia de palhaço e juntamente com um grupo ia a abrigos e hospitais. Ele e o garoto tiveram muita proximidade e Diego decidiu adotá-lo, mas a lei exige que o adotante seja no mínimo 16 anos mais velho que o adotado. A mãe de Diego decidiu pedir a guarda do garoto. Porém, Diego optou por tentar sozinho na justiça, mesmo sabendo que seria mais difícil, e através de jurisprudência conseguiu a guarda do filho.


Confira essa história completa no vídeo abaixo:





0 visualização
Contato

Quer falar conosco? Mande sua mensagem na caixa ao lado. Será um prazer saber o que tem a dizer sobre nosso trabalho.